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Rompimento da Cadeia de Suprimentos e o Covid - Futuro do Mercado/ Produção - Parte 2

Atualizado: Mai 13


Na parte I, falamos sobre o impacto do COVID nas cadeias de suprimentos, nessa parte II, partindo do pressuposto que as pandemias poderão se tornar mais frequentes, iremos abordar possíveis mudanças que irão ocorrer após o COVID de acordo com tendências e históricos na produção e no consumo.


MUNDO PÓS COVID - PRODUÇÃO

Não foram somente respiradores que faltaram, diversos outros produtos como autopeças, componentes de celular e de computadores também. E isso ocorreu devido a concentração massiva de fornecedores na China. O isolamento social aplicado lá, teve como consequência não só o fechamento das fábricas, impedindo a produção, mas também dos portos impedindo o escoamento das peças já produzidas.


Pouco antes do COVID, o mercado já estava percebendo que essa concentração excessiva tornava a cadeia de suprimentos vulnerável, não se pensava ainda em pandemias, mas em impactos políticos e comerciais. Desse modo, as empresas se alinhavam gradual e vagarosamente, ao retorno de suas indústrias, para próximo dos locais de consumo e/ou país de origem, no movimento conhecido como bring back manufacturing, não somente com o intuito de diminuir o lead time, mas também de assegurar produção própria e concentrar/diminuir a extensão da cadeia.


Vale ressaltar que isso passou a se tornar viável, graças a robotização que permite, no longo prazo, competir em termos de custos de produção, com a mão de obra barata do mercado chinês.




Nesse sentido, é provável que esse movimento se fortaleça após a pandemia, e um outro ocorra em paralelo que é a busca por um novo mercado fornecedor/produtor com mão de obra barata. Um continente ainda pouco explorado nesse sentido é a África, especificamente a Subsaariana.

Seria necessário grandes investimentos, não só em infraestrutura de escoamento, mas também em capacitação, além da criação de medidas políticas e econômicas dos países a serem desenvolvidos. Apesar da dificuldade, a história recente mostra que isso é possível, quando analisamos os tigres asiáticos, que em 1960, em uma situação de pós guerra, possuíam índices parecidos com a da África atual, mas o interesse estrangeiro e políticas de isenção fiscal e de atração de investimentos fizeram surgir potências como Coreia do Sul e Japão.

Outras empresas podem optar por voltar ao modelo antigo de produção, concentrando a cadeia, fortalecendo a demanda empurrada e a formando estoque, que sabidamente é mais sólida e menos exposta a rupturas da cadeia, ao invés da puxada e estoque zero. Sendo relevante analisar os custos dos prejuízos ocorridos e futuros, frente aos custos da cadeia nesse novo (antigo) formato. Chopra (2004) ratifica o uso de estoques com intuito de garantir o fluxo de materiais, e o ITIL, muito utilizado como referencia para situações de contingência, sugere o uso de fornecedores redundantes, para garantir a entrega de serviços.




Outro ponto que deve emergir em relação a cadeia, é o sincronismo entre os atores da cadeia. Ivanov (2020) conseguiu provar estatisticamente o sincronismo tanto na interrupção dela, quanto no retorno, gera o cenário mais positivo pós COVID. E Christopher (2008) reforça ao dizer que ter uma visibilidade da cadeia como um todo, e o sincronismo nas informações são essenciais para o supplychain.


Um importante aspecto relacionado ao sincronismo é o uso de Big Data, que ainda é pouco utilizado em toda sua capacidade e extensão na cadeia de suprimentos, ficando limitado a alguns poucos atores, e mesmo nesses casos ainda falta total transparência e confiança. (Richey e Morgan et al 2016)


Desse modo, o sincronismo não se restringe somente a informações de estoque e capacidade, mas também organizacional; com isso se obtêm a capacidade de solucionar em conjunto e rapidamente os problemas da cadeia, e isso é particularmente importante quando se pretende ter resiliência, que como visto no artigo anterior é uma característica vital para sobreviver a uma pandemia, quando não há preparo e planejamento adequado.


Em um nível global, percebemos claramente o impacto que a falta de confiança e transparência teve, quando a China no início do problema demorou para informar ao aos demais países sobre a dimensão real da pandemia. Slack, Johnston e Brandon-Jones (2013) destacam que a confiança entre os atores é o principal ponto para esse tipo de parceria na cadeia de suprimentos.



No próximo, e último artigo da série, abordarei o mercado na visão de consumo.



E, especialmente, por conta do Corona Vírus, caso você tenha algum negócio impactado entre em contato para conversarmos sobre qual estratégia utilizar.


A preocupação com um risco externo, como uma pandemia, ou terrorismo, passa a existir quando ocorre, mas ai já é tarde demais. E com o tempo, isso perde a importância novamente, até que ocorra um novo evento.

- Kunreuther

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Referências


Covid OMS Disponível em: <https://www.who.int/westernpacific/emergencies/covid-19> Acesso em 25 de abril 2020.


CHOPRA,S E SODHI,S. Managing Risk To Avoid Supply-Chain Breakdown. 2004


IVANOV, D. Predicting the impacts of epidemic outbreaks on global supplychains: A simulation-based analysis on the coronavirus outbreak(COVID-19/SARS-CoV-2) case. Elsevier, 2020


COUGO, P. Itil - Guia De Implantação. eBook Kindle. 2016


RICHEY, R; TYLER R; LINDSEY-HALL,K; ADAMS, F. A global exploration of Big Data in the supply chain. September 2016


SLACK, N.; Johnston, R.; Brandon-Jones, A. Princípios da Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 2013.


HAU L. LEE. A cadeia de suprimentos Triplo-A. Harvard Business Review. 2004


PAUL R. KLEINDORFER GERMAINE H. SAAD. Managing Disruption Risks in Supply Chains. 1Ed. First published:05. 2009


CHRISTOPHER, M. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: criando redes que agregam valor. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008


Mckinsey Covid Implication. Disponível em: <https://www.mckinsey.com/business-functions/risk/our-insights/covid-19-implications-for-business> Acesso em 25 de abril 2020.


Maiores exportadores mundiais. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/economia/veja-em-um-mapa-quem-sao-os-maiores-exportadores-mundiais// >Acesso em 25 de abril 2020.

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