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Rompimento da Cadeia de Suprimentos e o Covid - Perspectiva de Saúde e Mercado - Parte 1

Atualizado: Mai 13


COVID E A NÃO CONSIDERAÇÃO DE RISCOS EXTERNOS

O Covid por se tratar de uma pandemia, possui características peculiares como o escalonamento imprevisível e a interrupção da cadeia em diversas etapas, a montante e a jusante. Sendo considerado um risco externo, ou seja sem controle direto e com poucas estratégias definidas pelas empresas de mitigação.


A literatura é vasta em estratégias para prevenção contra riscos e diminuição dos seus impactos, mas quase sempre focada em riscos internos, logo são baseadas em diminuir a variação do processo, por meio de controle estatístico, planejamento e previsão pelos casos já ocorridos. O problema é que muito disso cai por terra quando falamos dos riscos externos.

E isso fica claro quando vemos que a maioria das ferramentas e discussões sobre riscos envolvem duas variáveis, impacto e probabilidade, e quando fazemos o preenchimento da Matriz de Impacto x Probabilidade, algo como terrorismo, ou pandemia, acaba perdendo visibilidade, por considerar um evento de extrema baixa expectativa de ocorrência, se posicionando desse modo no quadrante de pouca relevância para atuação.




E o que fica posicionado na área de maior relevância, ou seja, que terá alguma ação ou plano de mitigação, são somente os riscos conhecidos e/ou internos. Ou seja, as organizações se preparam pouco para esse tipo de risco. Chopra (2004) ratifica isso quando diz que a maioria das empresas desenvolve planos para se proteger contra riscos recorrentes e de baixo impacto em suas cadeias de suprimentos. Muitos, no entanto, ignoram os riscos de alto impacto e baixa probabilidade.


Kunreuther (2004), reforça essa ideia, usando como exemplo o terrorismo, em que, sem saber quem são os responsáveis, nem quando e como ocorrerá, se torna difícil planejar ações a serem tomadas. A preocupação passa a existir quando já ocorreu, mas já é tarde demais. E com o tempo, isso perde a importância novamente, até que ocorra um novo evento. Restando as empresas terem resiliência, que é a habilidade de reagir rapidamente as mudanças bruscas.


PERSPECTIVAS DE CAPACIDADE DO SISTEMA DE SAÚDE (OFERTA)


Diversas perspectivas a serem tratadas em relação ao rompimento da cadeia pelo Covid podem ser discutidas, a principal, e diretamente mais afetada é o sistema de saúde e sua capacidade de atendimento. Tendo como referência as informações da OMS, a grande preocupação é atuar na diminuição da taxa de infecção, pois é sabido que globalmente os sistemas de saúde não suportariam a necessidade de internação que foi percebida da doença.


Por quatro motivos, apesar da doença ter apenas 19% de casos severos, esses casos necessitam de atendimento especial (leitos, médicos e respiradores externos), evoluem rapidamente, e somada a incrível capacidade de infecção, com crescimento em progressão geométrica leva matematicamente, ao rompimento da cadeia, no caso a capacidade do sistema de saúde.


Quando isso ocorre no mercado, é como se você não conseguisse seu Iphone, mas quando se trata de saúde, há a necessidade de se escolher quem será atendido, e quem não será. Ou seja, quem vive e quem morre, como visto na Itália.

Quanto à capacidade, percebe-se que houve três grandes desabastecimentos, o primeiro de leitos/EPIs, o segundo de respiradores, e o terceiro de médicos. Os leitos/epis, em termos de emergência, se tornaram comodities e foram contornados mais facilmente, utilizando quartos de hotéis e centros cirúrgicos; os respiradores se tornaram o grande problema, por sua complexidade tecnológica e dependência de fornecimento chinês, não se obtêm, ou são criados tão facilmente. E o que foi visto, foi uma corrida para os mercados fornecedores, dominada pelos grandes compradores, que impediram a compra por países menores; além de uma corrida para criação interna e simplificada desses aparelhos. Quanto aos médicos/enfermeiros, dado que o lead time para fornecimento de um é de 8 anos, foram adotadas medidas como uso de profissionais da saúde e afins para o auxílio no combate à doença, pois esse ainda tem um agravante, diferente de leitos e respiradores, os médicos e enfermeiros tem seu número reduzido conforme os mesmos também são acometidos pela doença.





PERSPECTIVAS DE MERCADO (DEMANDA)


A outra perspectiva importante é o mercado, e esse está relacionado a suavização da curva, a medida tomada para que a demanda, os infectados, não crescesse exponencialmente, foi o distanciamento social. E apesar do impacto positivo em relação a saúde, em termos de cadeia de suprimentos dos demais produtos e serviços, é negativo, pois leva ao rompimento da cadeia tanto no lado da produção, quando no lado do consumo, ou seja, toda ela é afetada, com a interrupção total ou parcial de todos os atores participantes, sejam as fábricas, transportes, centrais de distribuição e sobretudo, do consumo em um ciclo continuo de fechamento de empresas, consequente desemprego e logicamente a diminuição do consumo por falta de renda.


E o impacto maior pode ser percebido nas empresas de serviço, principalmente as que possuem maior necessidade de co-participação junto ao cliente e estrutura de frontoffice, como salões de beleza, shows e eventos, academias, restaurantes etc. Essas tiveram que encerrar por definitivo suas atividades.





Essas duas perspectivas do rompimento de cadeia se relacionam diretamente e se complementam, de um lado os esforços para diminuição da demanda e do outro no incremento da oferta. Nesse caso, em se tratando de saúde é contraproducente atuar somente em uma delas, por isso a atuação em paralelo de ambas.



No próximo post, irei continuar o artigo, abordando O MUNDO PÓS COVID.


E, especialmente, por conta do Corona Vírus, caso você tenha algum negócio impactado entre em contato para conversarmos sobre qual estratégia utilizar.


A preocupação com um risco externo, como uma pandemia, ou terrorismo, passa a existir quando ocorre, mas ai já é tarde demais. E com o tempo, isso perde a importância novamente, até que ocorra um novo evento.
- Kunreuther

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Referências


Covid OMS Disponível em: <https://www.who.int/westernpacific/emergencies/covid-19> Acesso em 25 de abril 2020.


PONTE, M. V. V. Gerenciamento de riscos. Secretaria da Receita Federal. 4º Prêmio Schöntag, 2005. Disponível em: . Acessado em: 21/12/15.


CHOPRA,S E SODHI,S. Managing Risk To Avoid Supply-Chain Breakdown. 2004


HAU L. LEE. A cadeia de suprimentos Triplo-A. Harvard Business Review. 2004


PAUL R. KLEINDORFER GERMAINE H. SAAD. Managing Disruption Risks in Supply Chains. 1Ed. First published:05. 2009


CHRISTOPHER, M. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: criando redes que agregam valor. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008


Mckinsey Covid Implication. Disponível em: <https://www.mckinsey.com/business-functions/risk/our-insights/covid-19-implications-for-business> Acesso em 25 de abril 2020.

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